A enxaqueca é uma doença crônica que afeta perto de 15% da população mundial, causando crises de dor de cabeça intensa, acompanhadas de náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som. A enxaqueca tem um grande impacto na qualidade de vida dos pacientes, que sofrem com limitações físicas, emocionais e sociais, deixando de fazer coisas básicas como comer, trabalhar ou jogar em TonyBet.
A covid-19 é uma doença infecciosa causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2), que se espalhou pelo mundo em 2020, provocando uma pandemia. A covid-19 pode causar sintomas respiratórios, febre, tosse, perda de olfato e paladar, entre outros. Um dos sintomas mais comuns da covid-19 é a dor de cabeça, que pode ser semelhante à enxaqueca.
Mas qual é a relação entre a enxaqueca e a covid-19? Como o vírus afeta os pacientes com enxaqueca? Quais são os avanços científicos sobre esse tema desde 2020? Neste artigo, vamos tentar responder a essas perguntas, com base em estudos recentes e fontes confiáveis.
A enxaqueca e a covid-19 podem ter uma relação bidirecional, ou seja, uma pode influenciar a outra. Por um lado, a covid-19 pode piorar a enxaqueca, tanto durante a infecção aguda quanto após a recuperação. Por outro lado, a enxaqueca pode aumentar o risco de contrair ou desenvolver complicações da covid-19.
A covid-19 pode piorar a enxaqueca
Vários estudos têm mostrado que a covid-19 pode piorar a enxaqueca de diferentes formas:
· Aumentando a frequência e a intensidade das crises de dor de cabeça: Um estudo realizado na Itália com 131 pacientes com enxaqueca mostrou que 49% deles relataram um aumento das crises de dor de cabeça após terem covid-19. Outro estudo realizado na Turquia com 110 pacientes com enxaqueca mostrou que 67% deles relataram um aumento da frequência das crises e 47% relataram um aumento da intensidade da dor após terem covid-19.
· Causando novas dores de cabeça persistentes: Alguns pacientes que não tinham histórico de dor de cabeça podem desenvolver novas dores de cabeça após terem covid-19. Essas dores podem ser semelhantes à enxaqueca, com características como pulsação, unilateralidade, fotofobia e fonofobia. Um estudo realizado na China com 412 pacientes com covid-19 mostrou que 8% deles relataram novas dores de cabeça persistentes após se recuperarem da infecção. Outro estudo realizado na França com 120 pacientes com covid-19 mostrou que 25% deles relataram novas dores de cabeça persistentes após três meses da infecção.
· Agravando os fatores desencadeantes da enxaqueca: A covid-19 pode aumentar os fatores que desencadeiam as crises de enxaqueca, como o estresse, a ansiedade, a depressão, as alterações do sono, a desidratação, a febre e as infecções. Um estudo realizado no Brasil com 1.028 pacientes com enxaqueca mostrou que 79% deles relataram um aumento do estresse durante a pandemia de covid-19. Outro estudo realizado na Espanha com 668 pacientes com enxaqueca mostrou que 38% deles relataram um aumento da ansiedade e 28% relataram um aumento da depressão durante a pandemia de covid-19.
A enxaqueca pode aumentar o risco de covid-19
Além de piorar a enxaqueca, a covid-19 pode ser influenciada pela enxaqueca de diferentes formas:
· Aumentando o risco de exposição ao vírus: Os pacientes com enxaqueca podem ter um maior risco de se expor ao vírus por necessitarem de atendimento médico frequente, seja em hospitais, clínicas ou consultórios. Além disso, alguns tratamentos para a enxaqueca, como as injeções de toxina botulínica ou os anticorpos monoclonais, podem exigir visitas regulares aos serviços de saúde. Um estudo realizado nos Estados Unidos com 61.028 pacientes com enxaqueca mostrou que eles tinham um risco 21% maior de contrair covid-19 do que os pacientes sem enxaqueca.
· Aumentando o risco de complicações da infecção: Os pacientes com enxaqueca podem ter um maior risco de desenvolver complicações da covid-19 por apresentarem comorbidades associadas, como obesidade, hipertensão, diabetes, asma e doenças cardiovasculares. Além disso, alguns medicamentos para a enxaqueca, como os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) ou os corticoides, podem interferir na resposta imunológica ou inflamatória do organismo. Um estudo realizado na Coreia do Sul com 9.684 pacientes com covid-19 mostrou que os pacientes com enxaqueca tinham um risco 50% maior de desenvolver pneumonia do que os pacientes sem enxaqueca.
Quais são os avanços científicos sobre a enxaqueca e a covid-19 desde 2020?
Desde o início da pandemia de covid-19, vários estudos têm sido realizados para entender melhor a relação entre a enxaqueca e a covid-19, bem como para buscar soluções para os problemas enfrentados pelos pacientes com enxaqueca. Alguns dos avanços científicos sobre esse tema desde 2020 são:
· A identificação dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na interação entre a enxaqueca e a covid-19: Alguns estudos têm sugerido que o vírus pode afetar o sistema nervoso central e periférico, causando inflamação, ativação do nervo trigêmeo e liberação de neuropeptídeos, como a substância P e o peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP), que estão envolvidos na gênese da dor de cabeça. Além disso, alguns estudos têm sugerido que a enxaqueca pode facilitar a entrada do vírus nas células nervosas por meio da expressão aumentada do receptor da enzima conversora de angiotensina 2 (ACE2), que é o receptor usado pelo vírus para infectar as células.· A adaptação dos tratamentos para a enxaqueca durante a pandemia de covid-19: Alguns estudos têm proposto estratégias para adaptar os tratamentos para a enxaqueca durante a pandemia de covid-19, visando reduzir o risco de exposição ao vírus e otimizar os recursos disponíveis. Algumas dessas estratégias são: o uso preferencial de medicamentos orais em vez de injetáveis; o uso racional dos AINEs e dos corticoides; o uso criterioso dos triptanos e dos antagonistas do CGRP; o uso adequado das máscaras faciais durante as consultas presenciais; e o uso da telemedicina para o acompanhamento dos pacientes.
