Em Londres, uma campanha de conscientização tem chamado a atenção para os possíveis impactos negativos das redes sociais na saúde mental de jovens. A iniciativa, idealizada pelo grupo britânico Just Treatment, fundado em 2017, busca alertar sobre o tempo excessivo gasto nessas plataformas e seus efeitos no bem-estar.
A campanha, batizada de “Mad Youth Organise“, ganhou forma através de cartazes espalhados pela cidade, incluindo um que exibe a mensagem: “Este aplicativo foi projetado para te manter preso”, acompanhada do ícone do Instagram e da informação de que 45% dos adolescentes relatam passar tempo demais nas redes sociais. Outro cartaz apresenta a imagem do CEO da Meta, Mark Zuckerberg, com a legenda provocativa: “Se você se sente pior, está funcionando”.
Os cartazes também abordam questões como ansiedade e solidão, com frases como “Nossa ansiedade é explorada pela Meta” e “Estamos mais solitários com a Meta”, sempre acompanhadas de dados estatísticos que sustentam as alegações. A ação culminou em um protesto em frente à sede da Meta em Londres, com manifestantes exibindo cartazes que denunciavam a crise de saúde mental juvenil como sendo “patrocinada pela Meta”.
A campanha também direciona críticas ao TikTok, associando a plataforma a transtornos alimentares e à sensação de miséria, com base em dados que indicam que 46% dos adolescentes acreditam que as redes sociais afetam negativamente sua autoimagem.
QUAL O OBJETIVO DA CAMPANHA?
Além de aumentar a conscientização, os ativistas defendem a criação de um imposto de 4% sobre grandes empresas de tecnologia com faturamento global superior a £500 milhões (aproximadamente US$ 663 milhões). A arrecadação seria destinada ao financiamento de serviços de saúde mental para jovens, e o grupo também pede o fim do monopólio das grandes empresas de tecnologia no setor de redes sociais.

A iniciativa ocorre em um momento de crescente debate sobre os efeitos das redes sociais na saúde mental, com processos judiciais em andamento nos Estados Unidos contra plataformas como TikTok, Meta, YouTube e Snap Inc., acusadas de projetar produtos viciantes e prejudiciais. Uma pesquisa de 2025 do Pew Research centre revelou que 48% dos adolescentes americanos entre 13 e 17 anos acreditam que as redes sociais têm um impacto negativo em sua faixa etária, um aumento significativo em relação aos 32% registrados em 2022.
A organização britânica YoungMinds também aponta que 34% dos jovens se sentem presos às redes sociais, e um em cada cinco relata receber conteúdos perturbadores nessas plataformas pelo menos uma vez por semana.
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a campanha foi criada e organizada por jovens ativistas que já enfrentaram problemas graves de saúde mental.
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