Cáncer de próstata: Portugal prueba programa de cribado en 2027

Portugal planea testar a eficácia de um programa de rastreio para o cancro da próstata a partir de 2027, através de um projeto piloto que envolverá 20.000 participantes das regiões de Braga e Lisboa. A informação foi divulgada hoje pelo coordenador oncológico da Associação Portuguesa de Urologia, Francisco Botelho.

O projeto, que depende de financiamento da União Europeia, está a ser desenvolvido por um grupo de trabalho europeu independente, composto por especialistas de diversas nacionalidades ligados à Associação Europeia de Urologia.

Espera-se que Portugal integre a segunda fase de financiamento, e serão convidados homens assintomáticos entre os 55 e os 70 anos, através das listas dos centros de saúde, a participar no rastreio.

De acordo com Francisco Botelho, o objetivo é «testar a adesão a estes programas para tirar conclusões sobre como criar um sistema nacional ajustado à nossa realidade». O programa piloto envolverá inicialmente 5.000 participantes em Braga e Lisboa, começando com a realização do exame PSA (Antígeno Prostático Específico), uma análise sanguínea utilizada para detetar problemas na próstata, incluindo o cancro.

Em caso de resultados elevados, será realizada uma ecografia, e uma ressonância multiparamétrica será efetuada se a densidade do PSA (valor do PSA dividido pelo tamanho da próstata) for superior ao recomendado.

Atualmente, Portugal não dispõe de um programa organizado de rastreio para o cancro da próstata, mas existe evidência de que esta é uma doença com elevada incidência, sendo a neoplasia maligna mais frequente nos homens e a segunda causa de morte por cancro. Estudos demonstram que o rastreio pode ser eficaz na redução da mortalidade, salientou Francisco Botelho.

O urologista, que trabalha na Unidade Local de Saúde São João (ULSSJ), no Porto, e leciona na Escola de Medicina da Universidade do Minho, em Braga, participará numa conferência em Lisboa, na quarta-feira, no âmbito do Dia Mundial da Luta Contra o Cancro, organizado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) através do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO).

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Em entrevista à agência Lusa, o especialista afirmou que pretende defender a importância de Portugal avançar com a criação de um programa nacional de rastreio para o cancro da próstata. Existem diferentes abordagens possíveis, como a inclusão do rastreio nas análises de rotina realizadas no médico de família ou a realização de convocatórias diretas para o rastreio, cada uma com as suas vantagens e desvantagens, explicou.

A implementação de um programa de rastreio exige organização, envolvimento dos médicos de família e investimento financeiro, mas Francisco Botelho defende que, a longo prazo, é o caminho a seguir. É importante garantir uma distribuição adequada dos exames, considerando que muitos homens já realizam exames preventivos com frequência, enquanto outros nunca o fazem.

«É fundamental que haja critérios claros para que todos os homens realizem o rastreio a cada cinco anos», acrescentou. Em 2022, o grupo científico da União Europeia do Plano Europeu de Combate contra o Cancro recomendou o rastreio do cancro da próstata, uma recomendação que resultou num projeto piloto a nível europeu.

O especialista considera que o exame é acessível e de baixo custo, embora existam desafios a superar. Reconhece que existe o risco de diagnosticar doenças que não representam um risco clínico significativo para o paciente, e que o sistema de saúde enfrenta dificuldades, mas acredita que a prevenção é fundamental e que Portugal deve iniciar este processo.

O evento da DGS, que se inicia às 09:00, reunirá especialistas, profissionais de saúde e representantes de instituições nacionais para discutir o tema «Oncologia em Rede: Uma Estratégia Nacional».

De acordo com a DGS, a iniciativa visa promover o diálogo sobre a situação epidemiológica do cancro em Portugal, os novos rastreios de base populacional e os desafios da oncologia pediátrica, destacando o papel do Serviço Nacional de Saúde (SNS) na prestação de cuidados aos doentes oncológicos.

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