Dois lotes de terreno no Núcleo de Desenvolvimento Turístico do Carvalhal (NDTC), anteriormente excluídos da venda dos ativos da Herdade da Comporta em 2019, estão agora no centro de uma nova transação. A exclusão inicial ocorreu devido à oposição da DC Developments Gmbh, uma importante promotora imobiliária alemã, que detinha o direito de impedir a venda.
A empresa Zaphira Capital, uma single-family office e holding privada sediada em Lisboa, liderada por Adriano Lucas, apresentou uma proposta firme para a aquisição da DCR & HDC Developments – Atividades Imobiliárias, Lda., a sociedade proprietária dos dois lotes. Adriano Lucas é também administrador da consultora CPU.
A DCR & HDC Developments é uma sociedade veículo (SPV) detida em joint venture 50/50 entre a Herdade da Comporta – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado (em liquidação) e a DCR Comporta GmbH, outra promotora imobiliária alemã.
O valor proposto pela Zaphira Capital ascende a 25 milhões de euros, o montante mínimo estabelecido pelos vendedores, conforme detalhado num documento de apresentação da oportunidade de investimento (teaser) ao qual o Jornal Económico teve acesso. O prazo para a entrega de propostas vinculativas, acompanhadas da comprovação da disponibilidade de fundos, expirou em 31 de dezembro de 2025, dando início a uma fase de negociação com os licitantes selecionados.
Embora ainda não tenha sido formalizado o contrato de compra e venda, fontes próximas do processo indicam que a proposta de Adriano Lucas foi aceite. Os dois terrenos em questão, localizados entre os empreendimentos da Amorim Luxury e da Vanguard Properties, não puderam ser alienados em 2019 devido ao exercício do direito de oposição por parte da promotora alemã.
O Jornal Económico tentou contactar Adriano Lucas, Hugo Moretti Gomes (administrador da DCR Comporta GMBH) e João Sousa e Moura (administrador da Herdade da Comporta), sem obter resposta.
A não inclusão destes dois lotes na venda de 2019 resultou num ajuste do preço final da transação. A oferta inicial, aceite em 2018, era de 158,2 milhões de euros, mas foi reduzida para 157,5 milhões de euros na assinatura da escritura em novembro de 2019, refletindo a exclusão dos 50% daquela sociedade imobiliária.
De acordo com o teaser, os dois lotes possuem uma área combinada de 11,5 hectares e um índice de construção bruto de 13.800 metros quadrados, integrados no empreendimento Dunas, no concelho de Grândola, próximo da Praia do Pêgo. O lote 13 abrange 8,3 hectares com um índice de construção bruto de 10.000 metros quadrados, enquanto o lote 14 tem 3,1 hectares e um índice de construção bruto de 3.800 metros quadrados.
A venda destes ativos, pertencentes ao Fundo da Herdade da Comporta e à promotora alemã, tem sido tentada desde 2019. Após um impasse e um processo no tribunal arbitral, foi determinada a sua alienação por um valor mínimo de 25 milhões de euros.
O teaser destaca a localização privilegiada dos lotes, inseridos num condomínio privado exclusivo, sustentável e de baixa densidade, com acesso a infraestruturas como um campo de golfe desenhado por David McLay-Kidd, e outras instalações desportivas em desenvolvimento.
A área circundante é caracterizada por uma paisagem preservada, com 60 quilómetros de praias de areia branca, arrozais, pinhais e aldeias pitorescas. A proximidade de Lisboa (cerca de uma hora de carro) e a fácil acessibilidade a partir das principais capitais europeias (menos de três horas de voo) são também vantagens apontadas.
A transação envolve a aquisição de 100% do capital social da DCR & HDC, incluindo eventuais entradas de capital suplementares e créditos detidos pela Herdade da Comporta e pela DCR Comporta GmbH. A alienação das participações e créditos será realizada “no estado em que se encontram”.
Os vendedores procuram propostas atrativas em termos de preço, com capacidade comprovada para concluir a transação dentro do cronograma previsto, considerando a solidez financeira do investidor e eventuais aprovações regulamentares. A proposta deve ser vinculativa.
Os potenciais investidores receberam informações detalhadas sobre a DCR & HDC e os lotes 13 e 14, consideradas suficientes para a elaboração de uma proposta vinculativa e a negociação do contrato de compra e venda.
A proposta vinculativa de 25 milhões de euros exigiu a realização de uma due diligence por parte do potencial comprador.
O contrato de compra e venda poderá estar sujeito a procedimentos judiciais, de supervisão e regulamentares, bem como a requisitos de conformidade e aprovações de terceiros. O processo de licitação teve um valor mínimo fixado em 25 milhões de euros, sendo os vendedores a Herdade da Comporta e a DCR Comporta GmbH. O pagamento será efetuado em dinheiro no momento da concretização da transação.
Os concorrentes foram obrigados a cumprir as normas de combate ao branqueamento de capitais e financiamento do terrorismo, e a divulgar os detalhes do financiamento da transação, incluindo fontes, montantes e comprovativos de disponibilidade de fundos.
A Zaphira Capital, fundada em 2020 e sediada em Lisboa, é uma single-family office e holding privada focada no investimento, desenvolvimento e gestão de ativos imobiliários de alto padrão, atuando nos segmentos residencial, turístico, de escritórios e logística, com forte presença em Lisboa e Cascais.
Adriano Lucas é também membro do conselho de administração da CPU, uma empresa líder em serviços imobiliários em Portugal desde 2008.
