O governo espanhol lançou o fundo “Espanha Cresce”, uma iniciativa que visa mobilizar 120 mil milhões de euros para impulsionar o crescimento económico e abordar desafios estruturais do país. Com uma dotação inicial de 10,5 mil milhões de euros provenientes do Plano de Recuperação, o fundo pretende atrair investimento privado, tanto nacional como internacional, através de dívida privada, gerido pelo Instituto Oficial de Crédito (ICO).
O primeiro-ministro, Pedro Sánchez, destacou que este é o “maior volume de financiamento público e privado em condições favoráveis” da história de Espanha, crucial para mitigar a atual crise habitacional. A apresentação do fundo, inicialmente agendada para 19 de janeiro, foi adiada devido ao acidente ferroviário em Adamuz.
A ministra da Habitação e Agenda Urbana, Isabel Rodríguez, sublinhou a importância de resolver o problema do acesso à habitação em Espanha. O fundo abrirá oportunidades para investidores privados na construção de habitação, com a ressalva de que o lucro não deve ser a principal motivação.
“Vamos abrir as portas aos investidores privados, mas não para especular com um direito constitucional, mas sim para construir casas para os cidadãos que têm dificuldade em aceder à habitação“, alertou Sánchez.
Dados de um estudo divulgado em junho do ano passado revelam que mais de 8,5 milhões de espanhóis (18% da população) encontram-se em situação de “exclusão habitacional”, abrangendo desde pessoas sem-abrigo até àqueles com habitação precária ou insegura.
“Ferramenta poderosa”
Para além da habitação, o fundo tem como objetivos reforçar a produtividade, promover o desenvolvimento dos mercados de capitais e garantir a sustentabilidade do modelo social europeu. Sánchez enfatizou a necessidade de Espanha investir no futuro da União Europeia, considerando-a uma aposta estratégica para o país.
O ministro da Economia, Comércio e Negócios de Espanha, Carlos Cuerpo (Foto: Nicolas Tucat/AFP)
O ministro da Economia, Comércio e Negócios, Carlos Cuerpo, descreveu o programa “Espanha Cresce” como uma “ferramenta poderosa” para apoiar projetos de investimento inovadores, eliminando obstáculos e assegurando a capacidade de crescimento das empresas. Será feito através de garantias, partilha de riscos com o setor privado, financiamento direto e investimento de longo prazo em projetos transformadores.
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O fundo procura, assim, fortalecer um ciclo virtuoso que promova o crescimento empresarial, a inovação, a criação de emprego e o bem-estar dos cidadãos.
Críticas da oposição
O Partido Popular (PP) acusou o governo de utilizar o fundo para disfarçar a má implementação do plano de recuperação europeu e recuperar parte dos empréstimos já perdidos. Alberto Nadal, secretário-adjunto dos Assuntos Económicos do partido, afirmou que “não se trata de um fundo soberano”, distinguindo-o dos fundos detidos por países exportadores de matérias-primas.
Em resposta, o governo espanhol garantiu que continuará a promover o investimento mesmo após o término do mecanismo de recuperação europeu este ano.
