Um leitor do The Fresh York Times questiona se fumar um cigarro ocasionalmente, especialmente em eventos sociais, representa um risco significativo para a saúde.
Estima-se que cerca de 10% da população nos Estados Unidos se identifica como “fumantes sociais”, consumindo cigarros apenas em companhia de outras pessoas.
Embora a pesquisa sobre fumantes ocasionais seja limitada, especialistas concordam que o cigarro continua sendo a principal causa evitável de doenças e mortes nos Estados Unidos, e que até mesmo o consumo social apresenta riscos, especialmente o potencial para dependência.
COMO O TABAGISMO AFETA A SAÚDE?
O cardiologista e epidemiologista Michael Blaha explica que fumar prejudica o organismo de duas maneiras: causando danos imediatos aos pulmões e ao coração, e aumentando a probabilidade de desenvolver doenças crônicas no futuro.
“É impressionante o quão tóxico o cigarro pode ser”, afirma Blaha, ressaltando que até mesmo um único cigarro por dia pode ser prejudicial.
Ao fumar, a pessoa inala nicotina e uma variedade de aditivos químicos que as empresas utilizam para aprimorar o sabor e a sensação do cigarro. A queima desses componentes produz mais de 7.000 compostos químicos, dos quais cerca de 70 estão associados ao câncer.
O tabagismo irrita os pulmões, causando tosse e dor de garganta, além de aumentar a suscetibilidade a infecções respiratórias, de acordo com Anil Vachani, pneumologista do NYU Langone Health.
Com o tempo, os cigarros danificam os alvéolos pulmonares, comprometendo a capacidade respiratória e aumentando o risco de doenças como a doença pulmonar obstrutiva crônica e enfisema.
Mesmo o consumo ocasional eleva a pressão arterial, contrai os vasos sanguíneos e sobrecarrega o coração, aumentando o risco de doenças cardíacas e AVC.
Vachani ressalta que o risco de câncer de pulmão e de câncer de cabeça e pescoço também aumenta com o tabagismo, além de um possível aumento no risco de outras doenças, como infecções e insuficiência renal.
REDUZIR O NÚMERO DE CIGARROS AJUDA?
Um estudo recente liderado por Blaha e seus colegas investigou se a redução do consumo de cigarros poderia diminuir os riscos à saúde.
Os pesquisadores descobriram que simplesmente reduzir a quantidade de cigarros fumados por dia não diminui significativamente a probabilidade de desenvolver as condições mencionadas.
Em contrapartida, parar de fumar leva a uma redução imediata dos riscos, embora a recuperação completa aos níveis de um não fumante possa levar anos ou décadas, segundo Blaha.
Mesmo o consumo esporádico não é isento de riscos. Um único cigarro por ano pode não causar um infarto ou AVC, mas aumenta as chances de desenvolver um hábito, alerta Nancy Rigotti, diretora do Centro de Pesquisa e Tratamento do Tabagismo do Massachusetts General Hospital. “Acho que você está brincando com fogo”, diz ela.
Para aqueles que já foram fumantes regulares, fumar ocasionalmente em festas é ainda mais arriscado, pois é difícil limitar o consumo a apenas dois cigarros, de acordo com Vachani.
COMO EVITAR A TENTAÇÃO?
Vachani reconhece a tentação de fumar em celebrações, onde o consumo de álcool pode aumentar o prazer associado ao cigarro. Ele aconselha manter o foco na saúde a longo prazo.
Para evitar fumar em ambientes com muitos cigarros, MacKenzie Peltier, professora da Universidade de Yale, recomenda buscar o apoio de um amigo e ter alternativas à mão, como chiclete.
Questionar a si mesmo sobre o motivo de querer fumar também pode ser útil. “É para socializar? É porque você está se sentindo nervoso em um grupo maior e quer relaxar?”, sugere Peltier. “Refletir sobre os motivos pode ajudar a resistir à tentação.”
