O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que a Netflix demitisse Susan Rice de seu conselho ou “arcar com as consequências”, após declarações dela de que democratas poderiam tomar medidas contra empresas que demonstrassem lealdade ao presidente.
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“A Netflix deveria demitir a racista e obcecada por Trump Susan Rice, IMEDIATAMENTE, ou pagar as consequências. Ela não tem talento nem habilidades — é puramente uma operadora política!”, escreveu Trump em sua plataforma Truth Social no sábado, republicando uma postagem de Loomer no X que o incentivava a “impedir agora a fusão Netflix-Warner Bros.”
“O PODER DELA ACABOU, E NUNCA MAIS VOLTARÁ. Quanto ela está sendo paga, e para quê???”, acrescentou Trump sobre Rice.
Os comentários de Trump marcam um retorno à disputa entre Netflix e Paramount Skydance pela aquisição da Warner Bros Discovery, o estúdio de Hollywood. O presidente republicano havia declarado anteriormente que não interferiria na negociação. Ambas as aquisições propostas precisam ser aprovadas por reguladores federais.
Rice, que atuou como conselheira de segurança nacional do ex-presidente Barack Obama e embaixadora dos Estados Unidos na ONU, afirmou em um podcast na quinta-feira que empresas, organizações de notícias e escritórios de advocacia que atenderam às exigências de Trump agora percebem que suas ações foram impopulares. Ela também integrou o Conselho de Política Doméstica do ex-presidente Joe Biden.
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“Eles serão pegos desprevenidos”, afirmou Rice.
Ela previu que os democratas adotariam “uma agenda de responsabilização” e disse que as empresas deveriam “preservar seus documentos” e “estar preparadas para intimações”.
“Eles serão responsabilizados” se os democratas retomarem o poder, disse ela. “Se pensam que os democratas vão jogar pelas regras antigas, estão enganados”, acrescentou Rice, que fez parte do conselho da Netflix de 2018 a 2020 e foi reconduzida em 2023, após deixar o governo Biden.
O presidente dos EUA comentou sobre o assunto após pressão da influenciadora do movimento Maga, Laura Loomer, segundo o Financial Times. De acordo com o jornal britânico, Loomer, que não ocupa cargo formal na administração, mas convenceu Trump a promover uma limpeza de autoridades de segurança nacional no ano passado, publicou em uma rede social no sábado:
“A Netflix apoia sua integrante do conselho que está ameaçando metade do país com o uso político do governo e retaliação por terem escolhido em quem votar para presidente?”. “Isso é o máximo do antiamericanismo, e a Netflix prova todos os dias que é uma empresa antiamericana e ‘woke’”, acrescentou.
Em sua publicação, Trump não especificou quais “consequências” a gigante do streaming poderia enfrentar, mas já criticou outras emissoras por conteúdos que não aprovou, e o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), Brendan Carr, ameaçou as licenças de transmissão de algumas redes.
Procurada, a Netflix não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O FT lembra que a Warner reabriu nesta semana as negociações com a Paramount, dando ao grupo de mídia de David Ellison até segunda-feira para apresentar sua “melhor e última” oferta, superando a proposta de US$ 83 bilhões já acordada com a Netflix, ou encerrar sua tentativa de comprar o estúdio. A Paramount, financiada por Larry Ellison — pai de David Ellison, bilionário fundador da Oracle e doador de Trump — foi rejeitada repetidamente pelo conselho da Warner, que concordou com o acordo com a Netflix. A empresa fez nova ofensiva e ofereceu dinheiro extra a Warner por cada trimestre sem acordo concluído.
A Warner detém algumas das franquias cinematográficas e televisivas mais valiosas do mundo, como Harry Potter e Friends, além do serviço de streaming HBO Max e sua programação, incluindo Game of Thrones e The White Lotus.
