Pacientes que utilizam medicamentos para emagrecer análogos do GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, podem ter sucesso em manter a perda de peso mesmo espaçando as aplicações semanais, de acordo com um estudo recente da Scripps Clinic em San Diego.
O especialista em obesidade e medicina interna da Scripps Clinic, Mitch Biermann, relatou que diversos pacientes informaram que conseguiam manter o peso perdido ao espaçar as injeções para intervalos de duas ou três semanas. Essa experiência o motivou a conduzir uma pesquisa para testar a estratégia.
Os resultados, divulgados em fevereiro na revista científica Obesity, mostraram que, após 36 semanas de acompanhamento, a maioria dos pacientes que espaçou as injeções de GLP-1 conseguiu manter o peso perdido e ainda preservar benefícios para a saúde, como a redução da pressão arterial e o melhor controle do açúcar no sangue. Apenas quatro pacientes retomaram as injeções semanais após ganharem peso.
O estudo, embora de pequena escala – com 34 participantes, predominantemente brancos e com plano de saúde privado – oferece uma alternativa para pacientes que hesitam em se comprometer com injeções semanais a longo prazo, devido ao custo e possíveis efeitos colaterais.
Especialistas alertam que os resultados devem ser interpretados com cautela, ressaltando que os pacientes não interromperam a medicação, apenas reduziram a frequência das doses após atingirem um platô na perda de peso. O estudo não incluiu um grupo de controle e não foi randomizado.
Ainda assim, a pesquisa sugere que o tratamento crônico com GLP-1 não necessariamente exige dosagem semanal contínua, abrindo espaço para a individualização das doses. Scott McMillin, paciente de Biermann, relatou que conseguiu manter o peso e os benefícios à saúde ao espaçar as aplicações de Wegovy para uma vez a cada duas semanas, após ter normalizado a pressão arterial e o colesterol com as injeções semanais.
A maioria dos participantes já havia apresentado uma redução significativa no índice de massa corporal (IMC), passando de 30 (limiar da obesidade) para 25,2 (faixa de sobrepeso). Após 36 semanas com a dosagem menos frequente, o IMC médio do grupo caiu para 24,6, dentro da faixa considerada normal. A perda de peso foi proveniente de gordura, e não de massa muscular, e os pacientes mantiveram as melhorias em indicadores como pré-diabetes, triglicerídeos, colesterol HDL e pressão arterial.
Biermann, que atua como investigador em ensaios clínicos para a Eli Lilly e a Novo Nordisk, apresentou os resultados preliminares no congresso Obesity Week, em Atlanta, despertando grande interesse entre os médicos presentes. Ele observou que a principal dúvida dos pacientes sobre esses medicamentos é se precisarão tomá-los semanalmente para sempre.
